Notas breves sobre J. S.
- Algures na Internet diz que James Stewart entrou em cerca de 80 filmes. Só vi 15, nem um quarto.
- Todos os filmes que vi em que ele entra são totalmente dominados pela sua presença. Não consigo içar as calças para ver se as meias que vesti combinam sem pensar no final extraordinário de The Shop Around the Corner. Ele é um portento da verticalidade e tem um andar pouco gingão. Já muito se disse sobre a sua capacidade de retratar carácter, mas para mim ele é carácter, em todos os sentidos que a palavra pode ter.
- Apercebi-me há pouco tempo que tenho uma condição psicológica que me impede de não estar presente quando passa um filme com ele. Esta condição pode ser descrita da mesma maneira exemplar que Stanley Cavell utilizou para descrever o seu apelo (de J. S.): “a willingness for suffering”. Sei que vou sofrer muito a ver e ouvir James Stewart, mas sofreria infinitamente mais se não sofresse com ele. A sua disposição para sofrer é inseparável da minha.
- Vi há pouco tempo o magnífico 7th Heaven, do Borzage, e tenho muito medo de ver a versão do Henry King com o Stewart. Não pode haver patamar mais alto.
- Já o apanhei em pelo menos dois filmes a dizer palavras que me deixaram num estado miserável. Exemplo disso é a palavra “Mary”. Eram Marys diferentes, mas o efeito foi exactamente o mesmo.
- Acho que não importa muito se vi poucos filmes com ele. Vai ser uma acumulação de sofrimento ao longo da vida, mas uma acumulação protocolarmente horizontal.

Comentários
Enviar um comentário