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A ordem da morte - Buffalo Bill (1944)

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Buffalo Bill (1944) não convence pela retórica anti-civilização pouco inspirada. Nem convence pela sinuosa incorporação deste herói nos arrabaldes do entretenimento aristocrático. Convence pela honestidade com que escolhe representar um Joel Mccrae inatamente aureolado e assombrado pela cruz dos feitos que foi sendo levado a protagonizar. E a verdadeira crítica não está no texto enxuto, mas antes nas subtilezas que podem ser encontradas na hipnose coletiva que aquela forma de sociedade escolhe encarnar. Em nome da civilização, marcha a engrenagem de guerra americana, que numa sincronia apoteótica, subjuga o galope de cada cavalo a um objetivo cruelmente comum. Com esta carnificina fabril, contrasta a emocional desordem da investida cheyenne, que colorida de berros catárticos nunca susteve hipótese frente à sistematização da morte. É esta a verdadeira prova de civilização : A avalanche mortuária, que mesmo (especialmente) nos momentos mais fatais insiste em ser ordeira. Chegará se c...

Sr. Traque na Dulac

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  Ontem fui ver o Gossette... Não muito longe de mim sentou-se um flatulento (aka um peidão) que de 5 em 5 minutos sacava do telemóvel para ver as horas. Talvez cronometrasse a frequência... Imaginem o perfume de tais ventosidades... Pronto. Fica o momento homenageado com este humilde retrato.  Porque ir ao cinema também tem destas coisas... Até nunca, Sr. Traque.

Notas breves sobre J. S.

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- Algures na Internet diz que James Stewart entrou em cerca de 80 filmes. Só vi 15, nem um quarto. - Todos os filmes que vi em que ele entra são totalmente dominados pela sua presença. Não consigo içar as calças para ver se as meias que vesti combinam sem pensar no final extraordinário de   The Shop Around the Corner . Ele é um portento da verticalidade e tem um andar pouco gingão. Já muito se disse sobre a sua capacidade de retratar carácter, mas para mim ele   é   carácter, em todos os sentidos que a palavra pode ter. - Apercebi-me há pouco tempo que tenho uma condição psicológica que me impede de não estar presente quando passa um filme com ele. Esta condição pode ser descrita da mesma maneira exemplar que Stanley Cavell utilizou para descrever o seu apelo (de J. S.): “a willingness for suffering”. Sei que vou sofrer muito a ver e ouvir James Stewart, mas sofreria infinitamente mais se não sofresse com ele. A sua disposição para sofrer é inseparável da minha. - Vi há p...

Quanta força

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  Quanta força tem uma pessoa ajoelhada. Para o Rodrigo, que vê as coisas de forma tan bonita. Los más grandes! jajaja, un muy grande abrazo,  de pé e de joelhos, até Lisboa. (Ozu é cruel. Sofrem em interiores, enjaulados; ajoelhados, sentados ou deitados; em pranto, ofegantes, trémulos.)

de joelhos

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Para o Manel, que um dia deixou aqui uma tirinha tão bonita sobre os joelhos no chão do Japão. O Sr. João e a sua casa têm qualquer coisa de japonês, Vuvu à la Ozu. Até o pequeno artefacto vermelho ajuda. Talvez se tenham cruzado algures no périplo asiático em busca do magno Brochim — afinal, a China é já ali ao lado. Um mui saudoso abraço, Manel, de pé ou de joelhos, até Barcelona. Rodrigo, Coda :  https://www.youtube.com/watch?v=4tjwOTYh95k

EMANA

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emana, EmAna, do verbo emanar, Ema e Ana. No outro dia percebi que o mergulho de Ema levou-a até uma ribeira transmontana qualquer, seguindo um curso redentor que não vimos. Numa elipse místicomaluca, como esta tirinha. A queda e a ascensão da mesma ninfa, que no fim se molha e no início se enxuta. Um fim mergulhado que emana um início por secar. Ah, aquela auréolíngua de vapor de água que Ana exala à luz da noite de Inverno. Ah, como se ainda fosse a aba do chapéu de Ema, com o mesmo azul daquele laço à luz do sol do último dia de Outono.  Rodrigo

Easy Street

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