Nico - Wrap Your Troubles in Dreams
Poucos segundos separam os dois últimos segmentos siameses de Chelsea Girls. Primeiro, Pope Ondine , personalidade já conhecida deste épico da vida interior. A rispidez do discurso anfetaminado de Ondine, inicia-se com um indeciso, mas direto “I’m on? All right?”. Uma interrogativa que coloca em cheque a ingenuidade de qualquer um que queira acreditar no teor orgânico de um momento Warholiano. Porque no fundo, o que interessa não é necessariamente a verdade, nem a verdade filmada, mas a capacidade de reconhecer que a presença da câmera cria um momento único, capaz de ocupar um espaço infinitesimal que separa o consciente do subconsciente do inconsciente. É aí que muito do cinema de Warhol se movimenta: Num espaço (leia-se volume), nos seus limites a priori e entre raccords não sugeridos, nunca forçados. Poucos segundos depois, surge Nico, filmada de um ângulo meticuloso, a chorar. Apanhada num sofrimento in medias res , na mágoa vivida no singular, nota-se acima de tudo...