Dorsky
Dorsky parece ter arranjado uma forma de confessar, sem utilizar palavras que são as do dia, e tão pouco, embora pudesse ser algo mais próximo disso, as da noite. É uma espécie de combate de dentro do analfabetismo para fora. Não são só imagens, estou seguro; é a comunhão da sombra e do silêncio, com a luz e a palavra.
A luz entrega o mundo; a sombra enche-o, comunga-o. (Pascoaes)
Essa forma, mais do que do sermos multidões, vem do sentirmos ser multitudes. Do sentirmos ser todos, enquanto somos pedras, árvores, animais, terras, mares e mundos; luas, estrelas, dias e noites; luzes e sombras; verbos e silêncios - e eis tudo.
É o que acontece no Triste - palavra capaz de evocar até o seu contrário. Esse título, que se nos mostra no início, contamina tudo; e esse tudo contrasta, ou melhor, comunga: (uma vez mais) a palavra, o silêncio, a luz e a sombra.
O campo é sempre mais verde para os mais tristes. (Pessoa)
(Note-se que começa e acaba na "desintegração")
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