A ordem da morte - Buffalo Bill (1944)

Buffalo Bill (1944) não convence pela retórica anti-civilização pouco inspirada. Nem convence pela sinuosa incorporação deste herói nos arrabaldes do entretenimento aristocrático.


Convence pela honestidade com que escolhe representar um Joel Mccrae inatamente aureolado e assombrado pela cruz dos feitos que foi sendo levado a protagonizar.

E a verdadeira crítica não está no texto enxuto, mas antes nas subtilezas que podem ser encontradas na hipnose coletiva que aquela forma de sociedade escolhe encarnar.

Em nome da civilização, marcha a engrenagem de guerra americana, que numa sincronia apoteótica, subjuga o galope de cada cavalo a um objetivo cruelmente comum.


Com esta carnificina fabril, contrasta a emocional desordem da investida cheyenne, que colorida de berros catárticos nunca susteve hipótese frente à sistematização da morte.


É esta a verdadeira prova de civilização: A avalanche mortuária, que mesmo (especialmente) nos momentos mais fatais insiste em ser ordeira.


Chegará se calhar o dia em que os derrotados nos salvarão da nossa vitória.


- J

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