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A mostrar mensagens de abril, 2026

CMTV - Conteúdo para adultos

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Na passada madrugada de sexta para sábado, após o programa de comentário social “Noite das estrelas” na CMTV, moderado por “Tia” Maya, ter comentado ao detalhe a queda de José Castelo Branco nas escadas do metro de Nova Iorque em paralelo com a amaragem da cápsula da missão Artemis II ao largo do pacífico, procedeu-se à transmissão do filme Une flame dans mon coeur (1987) de Alain Tanner, sob a insígnia “Conteúdo para adultos bloqueado”, estando a bolinha vermelha acintosamente colocada no canto superior direito da pantalha.  Para grande decepção de quem aguardava fisicalidade picante a horas de solidão soturna, trata-se de um filme delicado, meticulosamente captado pelo preto e branco de Acácio de Almeida (reputado pornógrafo), som de Joaquim Pinto, num empreendimento gerido por Paulo Branco, com direito a intervalo comercial para propaganda à Betano protagonizada por Cristina Ferreira. Pensando bem, tudo isto configura de facto "conteúdo para adultos".

Jacques Rivette - Pedinchar

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São artefactos destes que me fazem sentir grato por constatar que os bilhetes na cinemateca são o único bem que aparenta estar imune a aumentos indexados à inflação. Carta de Jacques Rivette a Henri Langlois:   Paris, 20/09/1951 Meu Senhor, Tomo a liberdade de lhe escrever, tal como a Sra. Meerson me aconselhou ontem à noite, apenas para lhe expor uma situação bastante delicada (a minha): preso, por um lado, entre o amor pelo cinema que muitas vezes guia os meus passos - surpreender-se-á com isso? - na direção da avenida de Messine, e, por outro, a doença mais funesta que existe neste mundo: a saber, a falta de dinheiro. Não teria a ousadia de expor perante os seus olhos os detalhes das minhas finanças; posso, no entanto, assegurar-lhe que isso me incomoda bastante e me impede de qualquer luxo. Enquanto me foi possível, paguei a minha quota-parte como todos; depois, com a chegada de tempos mais duros, encontraram-se entre os cérberos designados para vigiar as sombras algumas almas ...

João César Monteiro sobre 7 Balas para Selma

Durante alguns anos, entretive o meu imaginário com 3 filmes portugueses que partilhavam entre si a dificuldade que encontrava em conseguir vê-los. Chamem-lhe fetiche, mas o tempo foi para mim cavalheiro, deixando-me ao final de alguns anos almejar um sonho novo. Eram os três filmes Três Menos Eu de João Canijo, O Constructor de Anjos de Luís Noronha da Costa e 7 Balas para Selma de António de Macedo. Quanto ao filme do «arquitecto Macedo», foi o último a sair da lista, e devo dizer que pela porta dos fundos. A qualidade é discutível mas o mau gosto um quanto mais universalizável, e feliz fiquei de chegar ao fim deste inútil objetivo, ainda que com uma tontura circunstancial. Transcrevo, de seguida, o que escreveu João César Monteiro a propósito do filme do «arquitecto Macedo», por entender que há relevância na estruturação de um discurso que apela ao contraditório, e perceber que deve haver tanto ou mais empenho na formação de um texto com esse pendor adversarial. Resenhas escritas...

O Sr.Ford e o até (ou para) sempre

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Em atualização. Mais ou menos organizado. Duty leads people astray.   (Tag Gallagher) Passage and persistence.